Boa leitura a nós beradeiros adotivos!

Publicado: 12/05/2011 em Cidade, reflexão, Rondônia

Como o colega Domingues, me incluo nos que têm um carinho muito especial por esta terrinha. Me fez lembrar daquele dia 19 de abril de 1989  (Dia do Índio) em eu desembarcava no aeroporto empoeirado de Porto Velho, com um sonho na cabeça, fazer desse o meu torrão, encontrar pessoas apaixonadas pelo simples e acolhedoras como da família, hoje me sinto como se beradero fosse. Amigo beradero, parabéns pela crônica!!

Beradeiro adotivo

por Domingues Júnior

“Pessoal, vou completar 10 anos de Rondônia. To escrevendo essa carta para dizer que por aqui anda tudo bem. Quer dizer, tem coisa que não anda. Ou a rua não tá boa pra andar ou tem um acidente logo ali que atrapalha a andação. Mas no mais, a gente tá seguindo em frente. Fiquei um tempo no interior, mas mudei logo pra capital. Porto Velho cresce mais que a torcida do Flamengo. E cresce hein! Pra cima, para os lados, e infelizmente pra baixo também. Muita gente morrendo; cada morte besta sô! Coisa que nem dá pra acreditar. De uns tempos para mais perto de hoje, descobri que gosto mais daqui a cada dia. Ando me sentindo perto do que foi esse lugar. E isso me deixa chegado ao que ele é hoje… Entende? Apegado à sua história. Descobrindo mais de sua arte. Sabendo sobre sua gente. Amando a poesia e músicas que já compreendo melhor… na medida em que descubro o que faço e quem sou aqui. Ando querendo virar beradeiro. Não que eu vá morar na beira do rio. O Madeira fascina a gente não só por sua água. Existe um rio que corre dentro das pessoas aqui. Ele já matou a sede de amor de tantos poetas, a fome de verdade de tantas famílias, a sina de querer chegar mais longe de tantos viajantes, que só mesmo bebendo dele pra saber. Dia desses me convidaram para fazer parte da Academia Beradeira de Letras, ou de Ideias. Imagina só, mãe! Virei cidadão de Rondônia e agora vou tirar o sapato para afundar os pés na margem, escrevendo, poetizando, lendo, ouvindo, rezando… Aqui é assim! Gente beradeira de fato, abrindo os braços para quem pede asilo, abrigo, cidadania. Vou aceitar como quem aceita um bom pedaço de peixe com farinha. Bem, tá na hora de encerrar a carta. Assim que der envio outra. Sei que vocês querem saber mais sobre a Estrada de Ferro, as riquezas, se é verdade que aqui tem pantanal, cerrado e floresta. Pode deixar que mando notícia timtim por timtim. Creio que daqui uns outros 10 anos as palavras serão mais puras e completas. Ainda escrevo como um menino. É só uma década de estadia. E só agora a alma está sendo recebida no céu de beradeiro… Amém”

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comentários
  1. Domingues disse:

    Grato, meu bom amigo. Me alegro com tua alegria em relembrar e pelas palavras de incentivo e consideração. Abraços!

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