Hora H: Gerenciamentos de Crises com a opinião pública

Publicado: 24/09/2011 em Justiça, política, reflexão, Rondônia
Tags:, ,

(Ilustração: Internet)A comunicação social no Brasil exerce papel fundamental para a cidadania. Embora ainda não haja regulamentação no Brasil específica para a profissão de Assessor de Imprensa avançou-se no reconhecimento dos resultados alcançados por estes profissionais, especialmente em momentos de crise. É possível registrar algumas experiências bem sucedidas de gerenciamento de crise, uma delas foi o caso do juiz Nicolau dos Santos Neto e do caso do acidente da TAM em 1996, com a participação direta dos profissionais dos assessores de comunicação das duas organizações.

Evoluiu a sociedade, evoluíram também os sistemas de comunicação. Com a ascendência das mídias sociais, é possível comunicar-se em tempo real, mas também permite o surgimento da sociedade da desinformação, como diz Leão Serva. Ao mesmo tempo, a sociedade dispõe de informações múltiplas e várias versões do mesmo fato não sabem na qual acreditar. Para as organizações, é grave risco. Gaudêncio Torquato confirma o inegável poder da comunicação, mas alerta que “muitos problemas organizacionais têm origem na questão de comunicação”, e, entre eles, enumera: “relacionamento entre setores, retenção de informação por grupos, constrangimento entre áreas, rotinas emperradas (…)”. Essas situações constituem risco à comunicação corporativa porque a ausência de diálogo efetivo com seus diversos públicos traz o risco de uma crise de credibilidade, que pode afetar a vida e a imagem da organização. É impossível falar de crise institucional sem se falar em comunicação corporativa.

Assessorados e assessores devem ter em mente que nenhuma instituição, pública ou privada, está imune a uma crise institucional com a opinião pública (CIOP). Ela surge por deslizes internos, externos, ou ambos. A convergência das mídias, combinada com a popularização das mídias sociais (twitter, facebook, entre outras) potencializa-se a velocidade de um escândalo e  promover danos irreparáveis à credibilidade de empresas, instituições e/ou personalidades, forma instantânea.

Roberto Castro Neves diz que em geral, as instituições não têm boa imagem na sociedade. Ele defende que “Imagem se constrói, e se mantém, com inteligência, criatividade, informação, pesquisas, métodos, processos, técnicas, ações coordenadas, habilidades específicas, trabalho em equipe e muita disciplina (…).”  Caso a comunicação seja efetiva, a instituição preventiva e proativamente estará pronta para atravessar momentos de crise.

Para maior clareza do que seja gerenciamento de CIOP, apresentamos dois casos de experiências bem sucedidas em assessoria de comunicação: o caso do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo e o caso do acidente aéreo em 1996, envolvendo uma aeronave da TAM.

O caso do ex-juiz ocupou as manchetes da mídia nacional e internacional por meses. Denominado como caso Lalau, o ex-juiz do TRT de São Paulo era acusado de desvio de R$ 169 milhões na construção do Fórum Trabalhista, o que envolveu as prisões do ex-juiz e do ex-senador Luiz Estevão, com prejuízo de imagem para o TRT da 2ª Região.

Mesmo sem a criação oficial de um Comitê de Crise, nem a existência de um Manual de Gerenciamento de Crise, a Assessoria de Imprensa conjuntamente com uma equipe nomeada pela presidência do Tribunal conseguiu contornar a Crise e preservar a instituição do desgaste ainda maior, um dos pontos frisados pela equipe, que o TRT também foi vítima o mesmo quanto à população, dentre outras situações favoráveis.

O “timing” da imprensa exige dos seus profissionais agilidade e precisão, o que nem sempre é possível. Jornalistas procuram furos, assim é imprescindível manter a calma e o foco. Atender bem e de forma profissional os jornalistas é fundamental para administrar melhor a situação. O professor José João Forni afirma que a característica mais perigosa de uma crise é o fator surpresa. Daí a importância das assessorias de comunicação e o seu papel estratégico na comunicação institucional.

Para concluir faremos uma análise de acontecimentos desta natureza com os órgãos públicos, especialmente quando envolve o Poder Judiciário, em que uma parcela de seus agentes (juízes) ainda defende que só se manifestam nos autos do processo. Para evitar possíveis crises deve-se pensar e agir proativamente. Isso demanda um empenho ainda maior na conscientização daqueles compõem o Judiciário, em especial.

(*) Jornalista e  advogado

Anúncios
comentários

Obrigado pelo seu acesso e comentário! Divulgue aos seus amigos. Nosso Twitter @_celsogomes_

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s