Jornalismo na Selva Amazônia

Publicado: 09/11/2011 em cidadania, educação, reflexão

Exercer o jornalismo parece mesmo uma cachaça. Para fazer a cobertura jornalística dos atendimentos da Justiça do Trabalho Itinerante no Acre fronteira com o país vizinho, Peru, ouvimos e conhecemos muitas boas histórias do povo nativo. Na cidade de Santa Rosa do Purus, tendo apenas o rio Purus separando das terras peruanas encontramos muitos índios convivendo pacificamente com brancos, e até mesmo um dos índios como vice-prefeito.

No porto da cidade, os recém entregues barcos para transporte escolar das comunidades ribeirinhas ainda permaneciam ancorados. E nas ruas da pequena Santa Rosa um ônibus novo faz o transporte dos alunos da cidade inteira.

Nas salas de aula se misturam índios e brancos. Pelo visto, o índice de natalidade não deve ser dos mais baixos, muitas jovens Kaxinawas já aparecem com seus filhotes pendurados no peito enquanto caminham.

A comunicação por essas bandas ainda é rudimentar, a rádio ”cipó” com os auto-falantes pendurados nos postes já não funciona mais, o velho amplificador apagou. Mas, o seu Carlos, com sua motocicleta faz a vez da comunicação pelas ruas e ruelas de Santa Rosa. Grava o anúncio e lá vai ele fazendo sua mensagem chegar a cada um dos 5 mil moradores.

Depois de passar um dia muito diferente, hora de embargar no pequeno avião com seis lugares contando com o piloto e nossas bagagens para seguir mais adiante, afinal a cidade de Jordão, dona do triste registro de menor Índice de Desenvolvimento Humano – IDH do Brasil (IBGE 2002), nos aguardava.

Jordão

Quem nos recebeu no aeroporto foi o Cacique Runikuin, da tribo Kaxinawa e sua família. Fizemos algumas fotos e começamos novas experiências deste importante contato com as comunidades de difícil acesso. O acesso à cidade de Jordão só é possível através de pequenas embarcações e aviões também de pequeno porte. Comprovamos que pelo menos 70% a 80% dos cerca de 5 mil moradores são indígenas.

A baixa escolaridade e renda per capita é algo muito preocupante na região, tanto que Jordão amarga o pior IDH do país.

Nesta nossa incursão está na agenda as cidades de Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. Ao lado de meu colega jornalista e acriano Abdoral Cardoso, natural de Sena Madureira, que se identifica imediatamente nos locais onde chega, parece que ele é o futuro prefeito dessas cidadezinhas, é respeitado e gosta de ouvir e contar as histórias dos tempos dos seringais por essas bandas.

Voar sobre a Amazônia é sempre um momento de muita reflexão, especialmente quando ainda existem muitos discursos vazios de preservação ambiental e muita devastação. Mas não percamos as esperanças.

Jornalismo na Selva é mesmo uma cachaça!!

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comentários
  1. Clara Rosa disse:

    Celso, Esta cachaça é convidativa, dá vontade de conhecer toda esta história de perto. Uma realidade de tanta beleza mas ao mesmo tempo precária. Bom trabalho!
    Clara Rosa

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