O caminhão de cadeiras e o gesto de amor ao próximo

Publicado: 20/10/2012 em reflexão
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Pelas ruas de Porto Velho me deparei com este caminhão de cadeiras (foto), fiz questão de fotografar por me remeter a uma feliz lembrança de um dos exemplos que meu pai protagonizou lá pelos idos dos anos 70 no interior do Paraná, mais precisamente em Telêmaco Borba onde vivi minha infância dos quatro aos 14 anos, depois de ter nascido em Criciúma (SC).

Certa vez meu pai voltava da Mina de Carvão, onde trabalhava, e ao chegar próximo de casa viu um caminhão carregado de cadeiras do tipo desta foto e ao lado do caminhão o motorista com cerca de uns 30 anos de idade, sentado e chorava muito. Meu pai, não hesitou foi até o homem e perguntou o que lhe havia acontecido e porque chorava tanto?

Aquele senhor disse-lhe que acabara de chegar ali, vindo de Curitiba, e ao ligar para sua casa para avisar que a viagem tinha sido tranquila, recebeu a informação de sua mulher que sua filhinha havia sofrido um acidente e não passava bem no hospital e a ela pedia, aos prantos, que ele voltasse, pois a filha estava correndo sério risco de morrer.

Meu pai se comoveu muito com aquilo, e mesmo sem ter grandes reservas financeiras, perguntou quanto custaria àquela carga de cadeiras, o senhor aos prantos falou um valor, cujo montante não lembro, e disse que se meu pai comprasse lhe daria algum desconto.

Meu, o seu Elói Marcelo Gomes, imediatamente confirmou àquele homem que ele iria voltar naquele momento para Curitiba, pois a carga de cadeira já estava comprada e foi àquela correria para descarregar aquele grande caminhão com centenas de cadeiras.

É possível imaginar a alegria daquele motorista, ele abraçava meu pai e a todos nós e comoveu a todos, seu choro continuou, mas agora de alegria e dizia que Deus estava ali assistindo aquilo e que sua filha se salvaria e voltaria em minutos para a estrada rumo a Curitiba para ver sua amada filha e esposa.

Imaginem o quintal da sua casa com centenas de cadeiras? Meu pai reuniu com a família e vizinhos que estavam por ali, e nos disse que precisávamos vender as cadeiras pelo bairro para que não ficasse ao tempo estragando e também recuperar pelo menos o dinheiro que disponibilizou para a compra.

Mesmo criança, eu lembro perfeitamente aquele gesto e da movimentação que deu no vilarejo, as pessoas vinham em nossa casa pegavam cadeiras e saiam vendendo, em menos de dois dias foram vendidas todas.

Esta história é apenas para relembrar aquele ato de solidariedade de meu, que não pensou duas vezes e só consultou sua consciência e agiu. Exemplos é o que marcam na vida das pessoas.

Portanto, não tinha como ver esse caminhão transitando aqui em Porto Velho e não provocar essa lembrança tão feliz que marcou para sempre na minha memória.

Meu pai, muito obrigado por ser este homem de atitude. Tenho muito orgulho de você.

E, a vida segue…

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